Pular para o conteúdo principal

Para especialista, seca da Sabesp é engrenagem técnica e política

VIDAS SECAS


Os paulista sofrem com interrupções recorrentes no fornecimento e imprevisibilidade no retorno da água  


Da redação 


Reprodução

A já tradicional falta d'água nas cidades do litoral paulista se agrava ainda mais após a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e pode ser estendida na reportagem do Brasil de Fato, onde Amauri Pollachi - que é especialista em recursos hídricos e conselheiro do Observatório Nacional dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas) - observa que a seca parte de uma engrenagem técnica e política. 


Conforme ele, o que ocorre é uma gestão deliberada da escassez promovida pela Sabesp. “O que a Sabesp está fazendo é uma gestão da oferta, reduzindo a oferta de água para a população. Atualmente, há uma prática de se reduzir essa oferta de água durante 10 horas a cada dia. Isso está afetando fundamentalmente a população que reside em locais mais altos da região metropolitana de São Paulo e mais distantes dos reservatórios”, explica o especialista. 


Pollachi aponta que, mesmo quando o fornecimento é “restabelecido”, a pressão é insuficiente. “Mesmo após as 10 horas de restrição de oferta de água por parte da Sabesp, muita gente está recebendo o chamado fiozinho de água. Ou seja, aquela água insuficiente para o seu consumo, que sequer chega em uma torneira junto do medidor de água.”


Futuro obscuro 


Enquanto as famílias tentam esticar cada gota, os indicadores técnicos trazem um alerta sombrio sobre o futuro imediato. Amauri Pollachi adverte que o cenário tende a piorar drasticamente se a gestão não mudar. 


“A situação da reserva de água nos reservatórios que abastecem a região metropolitana de São Paulo está cada vez mais precária. Está muito crítico. O Sistema Cantareira está baixando seu nível de reserva justamente no período em que ele deveria estar com esse nível em elevação. A perspectiva que o governo do estado deu é de aumentar esse período sem água: ao invés de 10 horas, passar para 14 ou 16 horas por dia. Aí é o caos, as pessoas não vão receber água.”


O que diz a Sabesp 


Reprodução

Procurada pela reportagem, a Sabesp informa que, diante do cenário de estiagem, altas temperaturas e do baixo nível dos mananciais, a companhia “está adotando desde 27 de agosto a redução da pressão da água no período noturno, quando há menor consumo pela população. Essa medida está sendo aplicada das 19h às 5h, em toda a Região Metropolitana de São Paulo”.


Segundo a empresa, a ação é preventiva e temporária e atende a uma deliberação da Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo), com o objetivo de preservar os reservatórios que abastecem a região.


A Sabesp ressalta que imóveis que possuem suas instalações conectadas à caixa-d’água devem sentir menos os efeitos da redução de pressão e lembra ainda a importância do uso consciente da água por toda a população. Casas que ficam nas áreas mais altas das cidades tendem a sentir mais a redução de pressão.

 

Fonte: Brasil de Fato 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sequência de despejos no “coração” de Bertioga é comparada a higienização social

Reintegração “imita” a política xenófoba dos países que expulsam imigrantes; na cidade litorânea os alvos são os pobres da Vila Tupi    Por Aristides Barros PM e oficial de justiça avisa o morador do despejo A Vila Tupi, no Centro de Bertioga, foi regularizada via processo fundiário que a princípio seria para beneficiar os moradores. A localidade foi reconhecida como área de interesse social e o plano regularizador era para o bem das famílias que vivem há décadas no local. Mas, várias delas  já foram descartadas do plano. Devido a ação atingir um grande número de famílias sem muitos recursos que moram no local fincado na área central da cidade muitos olhares veem o caso como um expurgo da população pobre da zona nobre de Bertioga. “É uma limpeza social”, afirmam e tom crítico à ação. Uma ação de reintegração de posse, com processo já transitado em julgado, prevê retirar cerca de 150 famílias da Vila Tupi e dezenas já foram despejadas. As que ainda estão em suas ca...

Discussão seguida de agressão no Hospital de Bertioga vira caso de polícia

CONFUSÃO Diarista vive horas de tensão e medo e o caso vai parar na delegacia que "é" um dos itinerários das pessoas que passam pelo hospital da cidade; o outro é o cemitério  Por Aristides Barros   Zona de conflitos   Ao levar sua mãe, Márcia dos Santos Mesquita de Alcantara, 59 anos, no Hospital de Bertioga, a  diarista Gisele Mesquita Faustino, 32 anos, sofreu algo idêntico ao enfrentado por outras pessoas que buscaram atendimento no local. Todas viveram situações que não deveriam acontecer num equipamento público destinado a cuidar de pessoas enfermas e ao trabalho de salvar vidas.  Por não aceitar a alta médica da mãe que saiu do hospital do jeito que entrou, ainda sentindo fortes dores no peito houve uma discussão que envolveu funcionários da unidade de saúde e a diarista. O embate gerou agressões verbais e fisicas.   Ela acusou J.T.R, que é uma das funcionárias do local, de tê-la agredido. “Me deu um tapa no braço e esperou que eu reagisse” , contou ...

Em Bertioga, deputado Reis fala sobre assuntos que abalam a política nacional e o país

Na cidade, ele ajuda comunidades que precisam ser “separadas” do mapa do Perb para que elas possam continuar existindo Por Aristides Barros Reis defende a cassação de Eduardo Bolsonaro / Foto: AB Recentemente, o deputado estadual Paulo Batista dos Reis (PT) participou de uma reunião, em Bertioga, com líderes comunitários, um representante da Fundação Florestal e a prefeitura bertioguense para intermediar temas relacionados às obras necessárias nas Chácaras Mogianas em Boraceia.  Ele considerou que o encontro foi positivo, com a definição de que a Sabesp pode começar a fazer as obras de saneamento básico (rede de água e esgoto) na localidade e a prefeitura pode iniciar os trabalhos de infraestrutura de sua alçada. Isso tudo, havendo a sinalização positiva da Fundação Florestal, que é a gestora do Perb, e o aval do Governo do Estado.  Após os temas da reunião, a reportagem indagou Reis sobre como ele avalia o comportamento do governo brasileiro frente aos Estados Unidos mediante...