CONFUSÃO
Diarista vive horas de tensão e medo e o caso vai parar na delegacia que "é" um dos itinerários das pessoas que passam pelo hospital da cidade; o outro é o cemitério
Por Aristides Barros
| Zona de conflitos |
Ao levar sua mãe, Márcia dos Santos Mesquita de Alcantara, 59 anos, no Hospital de Bertioga, a diarista Gisele Mesquita Faustino, 32 anos, sofreu algo idêntico ao enfrentado por outras pessoas que buscaram atendimento no local. Todas viveram situações que não deveriam acontecer num equipamento público destinado a cuidar de pessoas enfermas e ao trabalho de salvar vidas.
Por não aceitar a alta médica da mãe que saiu do hospital do jeito que entrou, ainda sentindo fortes dores no peito houve uma discussão que envolveu funcionários da unidade de saúde e a diarista. O embate gerou agressões verbais e fisicas.
Ela acusou J.T.R, que é uma das funcionárias do local, de tê-la agredido. “Me deu um tapa no braço e esperou que eu reagisse”, contou Gisele. A diarista falou que estava muito nervosa no momento do ocorrido, mas não respondeu à agressão.
“Me bateu e eu fiquei quieta, ela viu que o meu emocional estava alterado e esperou eu reagir”, contou. “Jamais iria fazer isso com um servidor público, médico e enfermeiro que está ali pra ajudar o povo, pra salvar as nossas vidas”, entende a diarista.
O caso foi parar na Delegacia de Bertioga e no boletim de ocorrência a funcionária do hospital ficou na condição de vítima e a diarista apontada como autora de injúria.
Tentativa de "operação abafa" frustrada
Gisele revelou que após ocorrido, que teve ampla repercussão nas redes sociais, está recebendo “recados” de pessoas que a “aconselham” a não falar mais nada sobre o assunto.
Sem citar nomes, a diarista informou que algumas seriam ligadas ao Prefeitura de Bertioga e suspeita que outras pessoas sejam ligadas a própria à area de saúde da cidade.
A diarista foi orientada a registrar todas as mensagens que chegam ao seu celular para possíveis processos criminais, caso ela ache que os autores das “recados” estejam excedendo na pressão e partindo para a coação ou ameaça. “A gente é pequeno e quem está no poder pensa que a gente é só uma gota no oceano, mas o oceano é muito grande e tem bastante gotas”, finalizou a diarista.
O que diz o hospital
A reportagem questionou o Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS) que é responsavel por gerir os trabalhos do Hospital Municipal de Bertioga sobre a ocorrência envolvendo a diarista e a funcionária.
O INTS foi indagado, e respondeu, sobre o episódio e qual o treinamento dado aos funcionários para se comportar diante de situações tensas e de forte pressão. “O INTS, responsável pela gestão do Hospital Municipal de Bertioga, informa que todos os protocolos no atendimento à paciente foram seguidos. Informa, ainda, que a funcionária foi acolhida pela equipe e orientada a realizar um boletim de ocorrência.”
Veja o vídeo
Muito dinheiro e muitas mortes
O INTS tem uma lista de ocorrências trágicas que deixou de luto vários moradores da cidade. O instituto chegou em Bertioga durante o governo do ex-prefeito Caio Matheus e atravessou os dois mandatos consecutivos do ex-alcaide. Ele continua atuando no governo do atual prefeito Marcelo Vilares onde já registra mortes com algumas delas gerando reclamações de mal atendimento .
O INTS é uma organização social de saúde (OSS) se fins lucrativos e tem um contrato com a Prefeitura de Bertioga no valor aproximado de R$ 50 milhões para trabalhar o hospital “antigo”, e outro contrato de cerca de R$ 22 milhões - também com a prefeitura bertioguense - para trabalhar o hospital novo. Os contratos são questionáveis face as ocorrências danosas aos bertioguenses.
A reportagem do Efeito Letal registrou casos onde em que as pessoas não se silenciaram e decidiram denunciar o drama que a unidade de saúde fez recair sobre suas familias. Alguns dos casos geraram processos contra o hospital e também contra a prefeitura bertioguense.
Leia em Paciente grava seus últimos dias de vida no Hospital de Bertioga
Crianças mortas, mães tristes e famílias devastadas: a tragédia sem cura do Hospital de Bertioga
GCM agride homem no Hospital de Bertioga e a violência viraliza nas redes sociais
Paciente convulsiona após medicação mas resiste e consegue sair vivo do Hospital de Bertioga
Pacientes continuam a sair do hospital direto para o cemitério de Bertioga
Comentários
Postar um comentário