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Bertioga e a necessidade de representação própria na Alesp e na Câmara Federal

MUNICIPALISTA


Sem deputados e de mãos estendidas, a cidade fica no chão do litoral pedindo ajuda a políticos que ela elege para outras cidades 


Por Aristides Barros



Votos que saem e não voltam mais 

A região da Baixada Santista que é formada por nove municípios fez quatro deputados federais e quatro estaduais, nas eleições de 2022, e eles priorizam as cidades onde moram. O endereço torna o “mandato bairrista” e dita a norma: “primeiro minha casa, depois a do meu vizinho”. 


Os municípios vizinhos são visitados a cada quatro anos com as visitas aumentando em ano eleitoral não por saudades, mas por questões de eleição ou reeleição. Um desses vizinhos é Bertioga que discute eleger deputados próprios, com endereço, residência fixa e vida na cidade.


Hoje, Bertioga tem dois nomes na fila de espera por votos. Um já anunciou a pretensão de concorrer ao cargo de deputado federal. O outro, cauteloso, não se expôs. Pessoas ao seu entorno afirmam sua possível candidatura a deputado, revelam que ele já tem equipe formada para ajudar na batalha eleitoral. 


Os dois e suas equipes terão de fazer grande esforço oratório, físico, e financeiro, para ter a maioria dos votos do eleitorado da cidade - próximo de 54 mil eleitores. Se conseguirem convencer e vencer, Bertioga ganha representação própria no cenário político estadual e nacional.  


Santo de casa não faz milagre, ocorre que santidade é o que menos importa na política eleitoral, o importante são os votos. Nem políticos nem eleitores são santos, sem milagreiros, a casa precisa da honestidade dos dois lados para um acordo em que ganhem as duas partes. Ambos sendo honestos entre si, o acordo sai e os votos ficam da cidade, com os pré-candidatos locais.    


Têm municípios da Baixada Santista que além de seus próprios representantes esnobam na quantidade de deputados estaduais e federais. Óbvio, que eles não são eleitos, ou reeleitos, só com os votos de casa, pegam de baciada com os eleitores das cidades vizinhas.  


Os “pré-locais” vão, e já estão, com suas bacias garimpando votos fora dos limites do município. Todavia seu foco é o eleitorado bertioguense e Bertioga. A conquista do voto doméstico é a conversa do momento, por muito tempo ela tem entrado no ouvido do eleitor por um lado e saído pelo outro. 


Na saída, aparecem políticos astutos, forasteiros, paraquedistas e outros da série Eu Avisei aparecem que “roubam” os votos, levam para suas cidades para obras e serviços que nunca chegam de onde foram retirados. 


A subtração torna necessário que Bertioga tenha seus próprios representantes na Alesp e Câmara Federal para finalizar o aparente estado de mendicância que “passa” ao cenário regional, porque em quase tudo depende dos municípios vizinhos e dos deputados deles, os quais ele ajuda a eleger e se reeleger. 

 

 

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