CLASSES
Uma entidade representa os empregadores e a outra que representa empregados falam sobre o tema que é debate nacional
Por Aristides Barros
| Comércio aguarda votação / Foto: AB |
A reportagem ouviu Adriana Dias Hauschildt, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Bertioga, e Washington Vicente, presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio da Baixada Santista (Sincomerciários) sobre a posição das entidades acerca do Fim da Escala 6x1, que é a Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
A PEC visa acabar com o modelo de trabalho em que se trabalham seis dias e descansa-se apenas um. Ela propõe alterar a Constituição para garantir dois dias de repouso semanal remunerado aos trabalhadores, além de reduzir a jornada máxima de trabalho. Nas duas entrevistas foram feitas as mesmas aos dois dirigentes classistas. A CDL de Bertioga foi a primeira a ser ouvida e na sequência o Sincomerciários.
EL - A CDL de Bertioga tem uma posição acerca da Escala 6x1?
Adriana Dias - CDL de Bertioga entende que a discussão sobre a jornada de trabalho é legítima e merece ser tratada com responsabilidade, diálogo e, principalmente, considerando a realidade de cada setor da economia.
Reconhecemos a importância de proporcionar melhores condições de trabalho, descanso e qualidade de vida aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, é necessário avaliar os impactos que uma mudança dessa dimensão poderá trazer para as empresas, especialmente para o comércio e o setor de serviços, que possuem características próprias e dependem diretamente de horários de atendimento e funcionamento.
Em Bertioga, essa realidade merece uma atenção especial, considerando a sazonalidade do comércio, do turismo, dos supermercados e dos prestadores de serviços. Por isso, entendemos que é importante avaliar a possibilidade de modelos de jornada que considerem as particularidades de cada setor, sempre dentro da legislação e com a devida participação e supervisão das entidades representativas.
Nossa posição é de que qualquer alteração na legislação trabalhista deve considerar a sustentabilidade dos negócios, a manutenção dos empregos, os custos para as empresas e as particularidades de cada atividade, buscando um equilíbrio que represente ganhos para trabalhadores, empresas e para a sociedade.
EL - A CDL já se reuniu, ou pretende se reunir, com seus associados para conversar sobre essa proposta para saber quais os impactos - positivos ou negativos - que ela poderá trazer ao terceiro setor, em Bertioga, caso seja aprovada pelos congressistas?
Adriana Dias - CDL de Bertioga entende que esse é um tema que precisa ser amplamente debatido com os empresários. Pretendemos promover esse diálogo com nossos associados, buscando ouvir diferentes segmentos e compreender os possíveis impactos da mudança na realidade das empresas de Bertioga.
Mais do que assumir uma posição simplesmente favorável ou contrária, entendemos que é importante avaliar questões como custos, necessidade de contratação de mão de obra, funcionamento dos estabelecimentos, produtividade, competitividade e eventual impacto nos preços dos produtos e serviços.
Esse debate é ainda mais importante para as micro e pequenas empresas, que muitas vezes trabalham com equipes bastante reduzidas, em alguns casos com apenas um ou dois funcionários. Uma alteração na jornada poderá representar um impacto significativo na necessidade de contratação e nos custos de manutenção da atividade.
Também entendemos que, caso haja uma mudança na legislação, é fundamental que exista um período de transição adequado, de no mínimo um ano, permitindo que as empresas possam se adaptar gradualmente à nova realidade.
A CDL defende que os empresários tenham voz nesse processo e que a mudança seja amplamente estudada, considerando as diferentes realidades dos setores, para que não resulte em prejuízos às empresas, redução de empregos ou aumento excessivo dos custos para o consumidor.
EL - Qual é o número de associados à CDL de Bertioga atualmente?
Adriana Dias - Atualmente, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Bertioga conta com 110 associados ativos, reunindo empresas e empreendedores que integram e fortalecem o comércio e o setor empresarial do município. Esse número representa a participação de empresários que acreditam na atuação da entidade como instrumento de representatividade, desenvolvimento e fortalecimento do comércio local.
FAVORÁVEL AO FIM DA 6x1
O presidente do Sincomerciários, Washington Vicente foi rápido em mostrar a sua total favorabilidade ao Fim da Escala 6x1. “O posicionamento do Sindicato dos Empregados no Comércio de Santos e Região, é a favor completamente pela mudança da escala”, destacou.
O dirigente sindical observa a dimensão da proposta. “A mudança de escala é uma luta histórica”. E expõe os pontos positivos da alteração. “A mudança na escala proporcionará ao trabalhador principalmente do comércio, a sua qualidade de vida, o tempo em família, o lazer e até tempo para melhorar a sua qualificação profissional", acredita o sindicalista.
Washington Vicente também aponta os pontos negativos se a PEC não for aprovada. “Os malefícios serão os que já vemos hoje, trabalhadores desanimados e aumentando a rotatividade, ou seja, o turnover aumentará ainda mais”, prevê.
Ele finaliza dizendo. “Além do que já lhe passei, a nossa luta na redução da jornada é a conquista de dois dias de folga, a redução da carga horária das atuais 44 horas para 40 horas; sem reduzir os salários, acreditamos que a redução da jornada fortalecerá as futuras contratações e acordos coletivos.”
A sede do Sincomércio está localizada em Santos e a sua base territorial abrange os municípios de Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente e Santos.
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