CHOQUE
Algumas pastas seguem o oposto ao pretendido pelo prefeito e seguem caminhos que podem deixar ele em um beco sem saída
Por Aristides Barros / Fotos (EL)
| Faltou o secretário |
A Secretaria de Saúde e a Secretaria de Desenvolvimento Social devem ver, ou rever, se trabalham conforme o prefeito de Bertioga Marcelo Vilares (União) quer, ou se querem vê-lo respondendo uma penca de processos ao final de seu curto, e possivelmente único, mandato de chefe político da cidade.
Os secretários das pastas e agentes ligados a elas estão entrando em confronto direto com os moradores locais. Alguns deles já estão na mira do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que apura supostas irregularidades no exercício das funções que ocupam, ou deveriam ocupar.
Ao menos dois casos foram acompanhados pela reportagem durante reuniões na Casa dos Conselhos de Bertioga. O da secretária de Saúde, Fabiana Paviani, cujo área tem enorme contingente de reclamações, explodiu na cidade após a divulgação de um vídeo que a “flagrou” trabalhando em outra cidade. O MP apura a situação.
Outro caso foi registrado nesta quinta-feira (26) na reunião do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) para discutir o Plano de Contingência voltado à população em situação de rua e demais ações da Operação Inverno. Os conselheiros reclamaram as ausências do Secretário de Desenvolvimento Social, Fernando de Aguiar e da diretora do Departamento de Assistência Social, Flávia Domênica.
Aguiar, convidado para a reunião, não compareceu. Segundo informações, ele estaria cumprindo outra agenda. Já a diretora de Assistência Social estava na Casa dos Conselhos durante a reunião, mas não participou. O jornalista não pode chegar até ela para indagar o motivo da “falta presente”. As verbas para essas atividades assistenciais partem dos governos estadual e federal
Só 75 “moradores de rua”
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| "População de rua" cresce acelerada |
Devido a ausência de ambos, o CMAS decidiu rejeitar o documento proposto pela Secretaria de Desenvolvimento voltado ao auxílio à população em situação de rua. A rejeição se deu em função de dados imprecisos. A pasta identificou a existência de apenas 75 pessoas em situação de rua na cidade. Suspeita-se que os números são muito superiores ao fornecido pela Secretaria.
A falta de abrangência no Plano de Contigência feito pela Secretaria é vista no próprio documento escrito por ela em apenas duas folhas de sulfite. Segundo informações, pessoas não ligadas à Pasta fizeram um plano mais robusto sobre o problema e que contém mais de 20 páginas.
Ainda nas ações mirando as famílias carentes da cidade deve ser alterado o valor do aluguel social que ainda é de R$ 600. Presume-se que cifra não é reajustada desde 2021, época da pandemia. O valor do aluguel social deve aumentar para ao menos um salário mínimo. É importante a participação do secretário para relatos mais precisos sobre todas essas pautas.
A reportagem indagou os conselheiros se a ausência dele em assuntos relevantes para a cidade e para a população não repercutem negativamente na administração, dando mostras de que o governo não está ao lado do povo. Os conselheiros optaram por não responder.

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