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Governo Lula reage à investigação dos EUA e acusa família Bolsonaro de interferência internacional

CONSPIRAÇÃO 


Em nota, o governo criticou a investigação comercial e afirmou que a iniciativa aconteceu por ações da família Bolsonaro 


Da redação



Lula atribui ação aos Bolsonaro / Foto: Aristides Barros

O governo federal elevou o tom nesta terça-feira (2) ao comentar a investigação comercial conduzida pelos Estados Unidos contra o Brasil. Em nota oficial, o Palácio do Planalto manifestou “indignação” com as conclusões preliminares da apuração aberta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) e atribuiu a iniciativa à atuação da família Bolsonaro junto ao governo norte-americano.


Segundo o texto, a investigação da chamada Seção 301, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para apurar supostas práticas comerciais consideradas desleais, teria sido provocada por ações da família do ex-presidente Jair Bolsonaro. O governo citou nominalmente uma recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington e classificou a medida como uma tentativa de ingerência em assuntos internos do Brasil.


A nota também faz críticas duras a adversários políticos, afirmando que “falsos patriotas” estariam utilizando cargos públicos para conspirar contra os interesses nacionais. O governo ainda lamentou que negociações conduzidas diretamente pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump possam ser prejudicadas por interesses eleitorais e familiares.


O documento rebate as justificativas apresentadas pelos norte-americanos e destaca que os Estados Unidos acumulam superávit comercial nas relações com o Brasil. De acordo com dados citados pelo governo brasileiro, o saldo favorável aos EUA em bens e serviços chegou a US$ 424,5 bilhões entre 2011 e 2025.


Além disso, a nota ressalta que 76% das importações de produtos norte-americanos realizadas pelo Brasil em 2025 entraram no país sem incidência de imposto de importação. O governo também destacou que a alíquota média efetivamente aplicada aos produtos dos Estados Unidos foi de apenas 3,1%.


Outro ponto mencionado é a inclusão do Pix entre os temas avaliados pelos norte-americanos durante a investigação. O governo afirmou que não existe justificativa para medidas unilaterais contra o sistema de pagamentos brasileiro ou outros patrimônios nacionais.


Apesar das críticas, o Planalto informou que as negociações entre os dois países continuam. Segundo a nota, representantes brasileiros e norte-americanos seguem discutindo alternativas para encerrar a investigação antes da conclusão prevista para 15 de julho.


O governo também afirmou que, caso medidas comerciais sejam adotadas pelos Estados Unidos, o Brasil poderá recorrer aos mecanismos previstos na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, para responder a eventuais sanções.


Confira a nota na íntegra


O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.


Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington.


Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.


É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.


Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares.


Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões.


Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%.


O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%.


Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo.


O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.


O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros.


É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro.


 



 

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