Pular para o conteúdo principal

“Florestal” diz que não autorizou a demolição de moradias na ocupação do Rio Guaratuba, em Bertioga

A gestora do Perb informou à DPE que vai providenciar um novo barraco ao idoso de quase 80 anos de idade que sofreu a ação  

Por Aristides Barros / Foto: Fabrício Gandini


Nego Dé (à direita) e seu vizinho de ocupação

Após a reportagem sobre a demolição de um dos barracos das famílias de pescadores que, despejadas da ponte do Rio Guaratuba, foi para uma área pertencente ao Parque Estadual de Restinga de Bertioga (Perb), o diretor executivo da Fundação Florestal, Rodrigo Levkovicz, falou à Defensoria Pública do Estado de São Paulo (DPE-SP) que não houve autorização para a demolir nenhuma moradia do local.


Na ocupação existiam sete barracos, incluindo o do pescador José Paixão dos Santos, 77 anos, o Nego Dé, que foi demolido. Sobre a demolição, o diretor executivo informou.


É de conhecimento desta Fundação a ocorrência da demolição da moradia do interessado, evento que, conforme já manifestado oficialmente, não contou com qualquer autorização ou determinação por parte deste órgão gestor. Tendo em vista os impactos sociais e pessoais decorrentes do fato, bem como a condição de vulnerabilidade do interessado, a presente medida busca mitigar os danos e restabelecer minimamente as condições de dignidade.”


Para sanar o problema esclarece: Com o intuito de viabilizar a reconstrução da moradia e prover condições adequadas de subsistência, a Fundação Florestal coloca-se à disposição para prestar apoio material, solicitando que este Núcleo ou o próprio interessado encaminhe a relação pormenorizada dos materiais, vestimentas e demais itens considerados essenciais para o atendimento da demanda.” 


Já havia um acordo estabelecido entre DPE e Fundação Florestal de que as famílias não seriam importunadas até que se encontrou uma solução ao problema delas, e ao que tudo indicou na ação de demolição alguém não entendeu direito o que havia sido acordado.


Jogo rápido


Sete famílias de pescadores foram alvos da ação de reintegração de posse que partiu do Departamento de Estrada de Rodagem (DER). Isso porque elas moravam embaixo da ponte sobre o Rio-Guaratuba, na rodovia Rio-Santos, no trecho de Bertioga, que é jurisdição do DER. 


Despejadas e sem ter para onde ir, foram para a área dentro do Perb, o que rendeu  problema com a Fundação Florestal que é gestora do parque e quer removê-las do local. A Fundação e o DER são órgãos subordinados ao Governo do Estado.       


A demolição do barraco aconteceu em 5 de julho, deste ano. A DPE informou o ocorrido à direção da Fundação Florestal no dia 12 de agosto, que dois dias após receber a comunicação disse quais medidas adotaria para "consertar o erro". A matéria foi publicada no dia 14.


 


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Sequência de despejos no “coração” de Bertioga é comparada a higienização social

Reintegração “imita” a política xenófoba dos países que expulsam imigrantes; na cidade litorânea os alvos são os pobres da Vila Tupi    Por Aristides Barros PM e oficial de justiça avisa o morador do despejo A Vila Tupi, no Centro de Bertioga, foi regularizada via processo fundiário que a princípio seria para beneficiar os moradores. A localidade foi reconhecida como área de interesse social e o plano regularizador era para o bem das famílias que vivem há décadas no local. Mas, várias delas  já foram descartadas do plano. Devido a ação atingir um grande número de famílias sem muitos recursos que moram no local fincado na área central da cidade muitos olhares veem o caso como um expurgo da população pobre da zona nobre de Bertioga. “É uma limpeza social”, afirmam e tom crítico à ação. Uma ação de reintegração de posse, com processo já transitado em julgado, prevê retirar cerca de 150 famílias da Vila Tupi e dezenas já foram despejadas. As que ainda estão em suas ca...

Discussão seguida de agressão no Hospital de Bertioga vira caso de polícia

CONFUSÃO Diarista vive horas de tensão e medo e o caso vai parar na delegacia que "é" um dos itinerários das pessoas que passam pelo hospital da cidade; o outro é o cemitério  Por Aristides Barros   Zona de conflitos   Ao levar sua mãe, Márcia dos Santos Mesquita de Alcantara, 59 anos, no Hospital de Bertioga, a  diarista Gisele Mesquita Faustino, 32 anos, sofreu algo idêntico ao enfrentado por outras pessoas que buscaram atendimento no local. Todas viveram situações que não deveriam acontecer num equipamento público destinado a cuidar de pessoas enfermas e ao trabalho de salvar vidas.  Por não aceitar a alta médica da mãe que saiu do hospital do jeito que entrou, ainda sentindo fortes dores no peito houve uma discussão que envolveu funcionários da unidade de saúde e a diarista. O embate gerou agressões verbais e fisicas.   Ela acusou J.T.R, que é uma das funcionárias do local, de tê-la agredido. “Me deu um tapa no braço e esperou que eu reagisse” , contou ...

Em Bertioga, deputado Reis fala sobre assuntos que abalam a política nacional e o país

Na cidade, ele ajuda comunidades que precisam ser “separadas” do mapa do Perb para que elas possam continuar existindo Por Aristides Barros Reis defende a cassação de Eduardo Bolsonaro / Foto: AB Recentemente, o deputado estadual Paulo Batista dos Reis (PT) participou de uma reunião, em Bertioga, com líderes comunitários, um representante da Fundação Florestal e a prefeitura bertioguense para intermediar temas relacionados às obras necessárias nas Chácaras Mogianas em Boraceia.  Ele considerou que o encontro foi positivo, com a definição de que a Sabesp pode começar a fazer as obras de saneamento básico (rede de água e esgoto) na localidade e a prefeitura pode iniciar os trabalhos de infraestrutura de sua alçada. Isso tudo, havendo a sinalização positiva da Fundação Florestal, que é a gestora do Perb, e o aval do Governo do Estado.  Após os temas da reunião, a reportagem indagou Reis sobre como ele avalia o comportamento do governo brasileiro frente aos Estados Unidos mediante...