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PT de Bertioga não esmorece e a militância vai para o “vira-voto”

 

DECISÃO


Votos em Lula despencaram em relação às eleições de 2022 e os candidatos do partido apoiados pelos petistas bertioguenses foram reeleitos


Por Aristides Barros


Marcolino e Mislane e Maurício e Zarattini

Uma vitória comemorada e outra pendente. Assim estão os petistas de Bertioga acerca do resultado das eleições de domingo (4). A esperada vitória do presidente Lula sobre o adversário no primeiro turno não aconteceu. Isso daria maior tranquilidade à possível vitória do líder dos petistas no segundo turno. 


Agora eles terão de trabalhar muito mais para fazer com que os eleitores que se abstiveram compareçam no segundo turno para conquistar a vitória integral do PT. Se de um lado saboreiam um gosto meio amargo, do outro a vitória de deputados do partido amenizam a situação. 


A reportagem falou com o ex-vereador Maurício de Souza, um dos principais articuladores do PT de Bertioga e com a pescadora Mislane Valentim, líder dos pescadores do Rio Guaratuba. 


Ambos estão visivelmente descontentes do partido não ter conseguido matar a cobra no ninho. Maurício apoiou o deputado federal Carlos Zarattini, que foi reeleito. Mislane apoiou o deputado estadual Marcolino, também reeleito.    


A eleição levada para o segundo turno com o PT em desvantagem foi uma ducha de água gelada sobre os petistas de todo o país, que acordaram para a realidade de que a extrema direita avança forte, e traz com ela um perigo real para a democracia do país.   


Risco Brasil


O ex-vereador bertioguense inicia disparando. “O Brasil virou à direita e Bertioga mais ainda. Tivemos menos votos que em 2022, mesmo com mais estrutura nas campanhas proporcionais”, observou. 


“Temos que retomar o empenho para reverter a diferença e eleger Lula, embora em caso de vitória terá um Congresso extremamente hostil à ele”, disse o ex-vereador apontando que a extrema direita aumentou expressivamente na Câmara Federal e no Senado. 


“A população não entendeu a importância da manutenção de políticas públicas de apoio e distribuição de renda, que diminuirá a diferença entre as classes sociais, beneficiando a todos”, opinou. 


“A classe média não perceber isso já é chocante, mas a indiferença dos que mais usam e precisam de um Estado forte é desesperador”, admite. “Vamos tentar explicar didaticamente que sem políticas públicas de inclusão o país não prospera como queremos e imaginamos”, avisa.


Maurício de Souza sentencia. “A direita tranca o elevador social e joga a chave fora.” Em tom de protesto finaliza entendendo que o combate ainda não tem vencedor. “A luta continua.”


A líder dos pescadores da Ocupação do Rio Guaratuba vai na mesma linha. “A gente comemorou a reeleição do deputado Marcolino e se revoltou em ver que o Lula não passando pro primeiro turno na frente do outro candidato. Foi uma mer.. mas vamos buscar os votos da vitória no segundo turno”, disse a mulher que não é filiada ao PT, é simpatizante do partido.


O deputado Marcolino marca presença nas reivindicações dos pescadores, e em Bertioga ele se destaca na questão envolvendo a Ocupação do Rio Guaratuba, onde pescadores tradicionais e suas respectivas famílias lutam pelo direito à moradia e permanência no local em que vivem há anos, tirando sustento e renda do rio e do mar. 


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